Você sabe a diferença entre a inseminação artificial e fertilização in vitro?

Existem alguns tratamentos para os casais que enfrentam problemas de infertilidade, ou dificuldade para engravidar. Durante os atendimentos percebo que muitos pacientes não entendem muito bem a diferença entre as opções, por isso nesse texto vou explicar como funciona cada uma das técnicas disponíveis.

O primeiro passo para uma reprodução assistida é a realização de uma anamnese detalhada, onde conversamos sobre as principais dúvidas e angústias dos pacientes. Em seguida, partimos para a realização de exames específicos, onde entendemos com maior profundidade o que está acontecendo e a real situação de cada organismo, para então, definir o melhor tratamento para esse casal.

A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são os tratamentos mais conhecidos, mas vale ressaltar que cada uma delas são realizadas por meio de técnicas distintas e têm taxas de sucesso muito diferentes. 

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

A Inseminação artificial (IA), ou inseminação intrauterina (IIU), é uma técnica considerada de baixa complexidade que prevê o depósito dos espermatozóides diretamente no útero para que a fecundação ocorra de forma natural. 

Para quem ela é indicada:

  • Mulheres com problemas de ovulação e endometriose nos estágios iniciais.
  • Homens com pequenas alterações nos espermatozóides. 

Com a ampliação das regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regulamenta a reprodução assistida no Brasil, a técnica também passou a ser extensiva a casais homoafetivos femininos e mulheres que desejam uma gravidez independente, mesmo que não tenham problemas de fertilidade (utilizando sêmen de um doador).

E, como é o processo:

  1. Estimulação ovariana com medicações de baixa dose para promover o crescimento de um ou dois folículos (estrutura onde o óvulo se desenvolve);
  2. No momento ideal (visualizado no ultrassom) será realizada a inseminação. O homem colhe uma amostra de sêmen que é então preparada no laboratório para promover a melhoria dos parâmetros (como concentração e movimentação dos espermatozoides);
  3. Com a amostra preparada o médico faz a colocação do sêmen dentro do útero da mulher utilizando um cateter flexível durante o período de ovulação. Esse é um procedimento simples que pode acontecer na própria clínica ou no laboratório de reprodução assistida, sem a necessidade de sedação e não requer nenhum tipo de repouso.

Diferenciais do procedimento:

  • Um tratamento considerado de baixo risco;
  • Proporciona boas taxas de gravidez, embora menores que às da FIV.

Pontos de atenção:

Em geral, a inseminação artificial pode ser realizada por até três ciclos. Depois disso, quando o tratamento tem resultado negativo, pode-se indicar a FIV.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO

A FIV, chamada popularmente de “bebê de proveta”, tornou-se conhecida em 1978 após o primeiro nascimento bem-sucedido mediante a técnica. Foi desenvolvida com o propósito de solucionar infertilidade relacionados a obstruções tubárias, mas na década de 1990 veio também para revolucionar o tratamento da infertilidade masculina por fatores graves por meio da ICSI – introdução da injeção intracitoplasmática de espermatozóides, de forma que se tornou uma técnica com taxas mais altas ainda de sucesso.

E, como é o processo:

  1. Estimulação ovariana, através de hormônios, para o crescimento e amadurecimento de uma quantidade maior de folículos. 
  2. Quando os folículos alcançam o tamanho ideal, é realizada a maturação final, onde utilizamos medicamentos hormonais. A ovulação ocorreria cerca de 36 horas após a administração do medicamento, então a aspiração dos óvulos acontece pouco antes da rotura dos folículos (34 a 36 horas).

O processo de aspiração folicular e coleta dos espermatozoides, acontece no laboratório de reprodução assistida. A aspiração é feita através de uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom e a coleta do sêmen normalmente por masturbação. Posteriormente, são selecionados os espermatozoides com melhor morfologia e motilidade em técnicas de preparo seminal.

  1. A fecundação ocorre em laboratório e é realizada pelo embriologista com o auxílio de um equipamento chamado micromanipulador de gametas, uma vez que essas células são microscópicas.
  2. Durante o período de dois a seis dias realizamos o cultivo embrionário, que ocorre em equipamentos chamados incubadoras. 
  3. A transferência embrionária, pode ser feita em dois estágios de desenvolvimento: 3o ou 5o dia, estágio denominado blastocisto, sendo essa última a mais comum.

Diferenciais do procedimento:

  • Apesar de ser considerada um tratamento mais complexo, a FIV é a principal técnica de reprodução assistida, com os melhores índices de gestação, além de reunir um conjunto de técnicas complementares que possibilita a solução de diferentes problemas que inibem o desenvolvimento da gravidez.

VALE LEMBRAR

Para a definição do melhor protocolo serão analisados muitos fatores. A escolha será realizada sempre em conjunto, levando em consideração questões técnicas e também as expectativas do casal.

Fonte Imagem: Pessoas foto criado por jcomp – br.freepik.com